30/08/2017 10:26

Envelhecimento da população mundial

Compreendendo a taxa de fecundidade



               O caminho é mais que conhecido. O país se industrializa e se urbaniza. A população urbana encontra uma qualidade melhor de vida e diferentes perspectivas de crescimento pessoal e profissional do que se encontrava no meio rural. Por mais que haja profundas desigualdades sociais, todos os habitantes urbanos se verão em um custo de vida mais elevado, com o preço do solo urbano e de bens de consumo sempre desafiando as contas familiares. Quem perde espaço nesse cenário? O projeto familiar que envolva filhos.

                Se em algumas situações a criança era uma força de trabalho a mais, e sua criação não envolvia um aumento de gastos familiares de forma substancial, não haveria porquê controlar a natalidade ou fazer uso do planejamento familiar. A taxa de fecundidade na Somália beira a média de 6 filhos por mulher. Ter 2 ou 9 filhos na Somália não será grande definidor de sua condição social, mas sim a estrutura social do país. O que se busca dizer aqui é: países mais urbanos e com mais chances de ascensão social costumam atrelar a natalidade a essa busca pelo crescimento. Quanto menos filhos, maior mobilidade, maior risco de investimentos (que podem ser mais lucrativos), maior acesso a bens de consumo, maior inserção feminina no mercado de trabalho, que ainda é excessivamente machista em quase todos os países do mundo.

                E os países que entram nessas condições estão cada vez mais representativos. Basta ver que o G7 (os sete países mais ricos do mundo e que realizam reuniões anuais) se transformou em G20. A economia gira cada vez mais em torno do potencial crescimento dos emergentes. E a população que assistiu a uma explosão demográfica entre 1970 e 2000, começa a dar sinais de estabilidade e senilidade. Com o ritmo antigo, antes de 2050 o mundo atingiria 15 bilhões de habitantes, alarmando aqueles que temem a chamada “superpopulação”. Hoje, vemos que com muito custo passará de 10 bilhões. Notícia boa, não é mesmo? Nem tanto.

                O problema é como esse número está distribuído. Os idosos ou pessoas acima dos 50 anos estão cada vez mais numerosos. Com a queda geral da mortalidade, estamos envelhecendo mais e melhor. Não há nada contra a terceira (ou melhor) idade, mas o mundo precisa se adaptar a essa realidade, além de tentar aumentar a contribuição dos mais jovens através de duas formas: estimulando a natalidade, ou valorizando a imigração de jovens de países com estruturas etárias mais jovens. Essa segunda opção envolveria uma profunda mudança de pensamento em um mundo cada vez mais conflituoso com a imigração, e também uma maior desconcentração da riqueza, permitindo a esses jovens estrangeiros, geralmente em países pobres, uma maior condição de contribuir positivamente para a economia de seu próprio país ou de um país desenvolvido.

                Placas para evitar que corram no metrô, assentos preferenciais, programas de desaposentadoria, aumento da idade de contribuição previdenciária, políticos com promessas mais conservadoras... Todos são resultados que vemos no dia a dia e que tendem a se aprofundarem com o passar do envelhecimento demográfico mundial.

#VovôGarotoÉNormal #Envelhecimento