10/02/2017 14:35

Plágio acadêmico?

Quantidade nem sempre é sinônimo de qualidade



Ao longo dos anos de crescimento da atividade de pesquisa no Brasil e no mundo, as instituições de fomento e financiamento criaram mecanismos de qualificação e critérios para investir em pesquisadores. Basicamente tornou-se muito importante a produção. Contudo, a exigência e a concorrência no meio acadêmico cresceram de tal modo que muitos se veem obrigados a cair em um “produtivismo”. Como quantidade nem sempre é sinônimo de qualidade, o que se pode observar é um oceano de pesquisas superficiais, com erros metodológicos, sem objetivo e muito, muito repetitivas.

É natural e necessário que uma pesquisa busque outras que versem sobre o mesmo tema. Analisar o já foi feito e estudado e comparar perspectivas fazem parte do universo de um bom pesquisador. O problema é que alguns casos se excedem e acabam copiando a ideia, o texto, os resultados de outras pesquisas. Aproveitando-se da falta de fiscalização que pode ocorrer, muitos apresentam trabalhos que foram produtos de seus esforços, configurando o plágio. Uma vez detectado o plágio para obtenção de alguma titulação, por exemplo, há a anulação completa do processo.

Na música, literatura ou em obras de arte, os plágios são conhecidos e muitos se tornaram casos famosos. Lembrando que o plágio não tem nada a ver com a citação bem intencionada e referenciada a autores, como o uso de uma dissertação ou tese como ponto de partida para a construção de uma nova teoria. No entanto, muitas vezes, o limiar entre o inocente uso das fontes e a cópia maliciosa é bastante estreito, dando margem ao crime, mas também a múltiplas situações de conflito. Nem sempre é simples e fácil de identificar, principalmente, em um universo como o do conhecimento científico.

Há plágios integrais de trabalhos inteiros, parciais quando não se identifica o autor de determinadas passagens, ou ainda conceitual, quando se apropria da ideia de um autor sem referenciá-lo, mesmo com palavras diferentes. É bem verdade que há plágios que não são intencionais e derivam geralmente do desconhecimento de um autor sobre a metodologia de um trabalho acadêmico, mas a maior parte é intencional.

Na reportagem, um presidente mexicano é acusado de plágio durante sua formação em Direito. Muitos autores financiam outrem para realizar os trabalhos ou buscar trabalhos semelhantes. Esse tipo de pesquisador não se interessa por produzir conhecimento e só está buscando o resultado final, que sempre trará mais prestígio a quem detém um título. Felizmente, a internet e a informatização auxiliam decisoriamente para que a justiça e o mérito sejam cumpridos efetivamente.

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