30/09/2016 15:31

Somos realmente livres?

Uma reflexão sobre o livre-arbítrio



Em diversas religiões, por mais que haja o destino construído por entidades divinas, é constante a presença da garantia do “livre-arbítrio”, ou seja, a capacidade do indivíduo tomar decisões de maneira livre, possuindo diferentes resultados dependendo da escolha tomada.

Contudo, muitas correntes ao longo do tempo trataram da possibilidade do “livre-arbítrio” como uma ilusão. A ilusão do livre-arbítrio foi considerada um obstáculo no caminho do pensamento humano durante milhares de anos. Vejamos se o senso comum e o conhecimento não o podem remover. Digamos que o partido do livre-arbítrio clama que o homem é responsável pelos seus atos, porque a sua vontade é livre de escolher entre o certo e o errado. Porém, a vontade não é livre e se fosse, o homem não poderia conhecer o certo e o errado enquanto não fosse ensinado.

Os “pró” livre-arbítrio afirmaram que, no que respeita ao conhecimento do bem e do mal, a consciência é um guia seguro. Mas a consciência não nos diz e não nos pode dizer o que está certo e o que está errado; apenas nos recorda das lições que aprendemos acerca do certo e errado. A inconsciência, a “suave voz baixa”, interpretada por muitos como a voz de Deus, pode ser analisada também como sendo a voz da hereditariedade e do meio.

E nossas vontades? Podemos dizer que temos liberdade de vontade? Quando um homem diz que a sua vontade é livre, ele quer dizer que é livre de todo o controle ou interferência, que pode inclusive dominar a hereditariedade e o meio. É possível? É possível observar que a vontade é governada pela hereditariedade e pelo meio.

Vivemos um período em que grandes contestações em campos profundos estão se difundindo. A reflexão do “porquê” o ser humano toma diversas atitudes está cada vez mais presente, sobretudo colocando em xeque o meio do indivíduo em questão. É branco, negro, magro, obeso, homem, mulher, cis, trans? São muitas condições que alterarão a perspectiva individual e levarão a observações e decisões diferentes. Que bom que se seja assim!

É possível perceber que não há, de fato, um arbítrio que seja realmente livre. Porém, a libertação de antigas amarras através do questionamento e da mudança de perspectiva é um reflexo de uma maior libertação, em relação às possibilidades de outros tempos. Um livre arbítrio mais livre.

#EuControloMeuGuidom